Nos últimos cinco anos, o número de mortes por câncer de pulmão na Paraíba cresceu 42,62% saltando de 183, em 2006 para 261 no ano passado. Estes dados foram informados pelo Núcleo de Doenças e Agravos Não Contagiosos da Secretaria Estadual de Saúde. No Brasil, esta doença atinge cerca de 14 em cada 100 mil habitantes e o índice de letalidade é de quase 100%.
O médico pneumologista Sebastião Costa, especialista em doenças ligadas ao tabagismo, associa o alto índice de letalidade à dificuldade de se diagnosticar cedo o câncer de pulmão. “É uma doença silenciosa, que avança sem que o doente note que ela está ali”, explica o médico. O paciente só nota que está com câncer de pulmão quando se espalhou para outros órgãos. “O pulmão tem muitas veias e está ligado a todo o corpo, o que facilita a metástase”, contou. Segundo Costa, os órgãos mais afetados por este processo são o cérebro e o fígado.
Para o médico, a maior dificuldade, após o diagnóstico, é a convivência com a morte quase certa. “Infelizmente o objetivo do tratamento médico para o paciente passa a ser a melhoria da qualidade de vida do paciente no período em que ele vai passar com a doença. Temos todo um trabalho psicológico com a família e o doente buscando diminuir ao máximo o sofrimento”, explica.
Costa lembra que o alto número de casos é proporcional ao número de fumantes. Ele explica que nove em cada dez pessoas que contraem câncer no pulmão são adeptos do tabagismo. Segundo pesquisa do IBGE, a Paraíba é o terceiro Estado onde mais se fuma no Brasil, com uma em cada cinco pessoas com mais de 15 anos fumando. “É o Estado com maior índice de fumantes na região Nordeste, com 20,2% da população tendo este hábito”, informou o médico, que explicou que a Paraíba está muito acima da média nacional que é de 17,2% de fumantes na população.
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o número de novos casos da doença esperados no ano passado era de 220 para a Paraíba. “Isso acontece porque não sentimos uma diminuição no número de fumantes no Estado. Apesar de todas as campanhas, os números continuam crescendo, explicou.
Apesar do alto número de fumantes, proporcionalmente à quantidade de óbitos por câncer de pulmão na Paraíba em 2011 foi abaixo da média mensal do ano passado. Enquanto em 2010 a média ficou acima das 20 mortes por mês, neste ano, até 17 de fevereiro, foram registradas apenas 15 mortes.
Segundo o médico, a única forma de atuar no combate à doença é na prevenção ao tabagismo. “Estamos montando uma estratégia de combate ao tabagismo na Paraíba. Na cidade de João Pessoa, contamos com programas de controle com atuação preventiva e queremos espalhar estes programas para todo o Estado”, contou.
Uma destas ações é o Dia Estadual de Combate ao Tabagismo, que acontece hoje. “Em João Pessoa, no Ponto de Cem Réis, no centro da cidade, estaremos dando informações sobre as doenças causadas pelo cigarro. A Unimed, em sua sede, no bairro da Torre, próximo da praça São Gonçalo, estará fazendo avaliação respiratória dos pacientes. Queremos abrir os olhos da população para os problemas gerados pelo cigarro”, contou.
Na próxima segunda-feira, uma reunião estratégica acontecerá na Associação dos Médicos da Paraíba. “Contaremos com a presença da Secretaria de Saúde do Estado, do município e os planos de sáude para desenvolvermos novas estratégias para atingir o público. Precisamos de programações conjuntas”.
Além disso, os Postos de Saúde de Jaguaribe, Mandacaru, Mangabeira e Cristo se preparam para oferecer atendimento especializado. “Estes postos da rede pública oferecem informação e atendimento específicos para aqueles que querem se livrar do vício de fumar”, conta o médico.